- Sinopse:
Uma assembleia comum, nem pública, nem privada. O comum tomado como verbo, o fazer-com marcado pela abertura, autonomia, horizontalidade, cooperação e antagonismo. Tudo começa e termina na cozinha, em ritmo de festa: um banquete comum.
- Release
Assembleia Comum é uma obra processual, teatro político de rua, um dispositivo cênico mambembe, realizada em praça pública, adaptável a distintos contextos, construída coletivamente e colaborativamente pelo Núcleo de Teatro do Espaço Comum Luiz Estrela, de Belo Horizonte – MG. Combinando as linguagens do teatro, da performance e da culinária, trata-se de uma assembleia horizontal, aberta e permeável ao encontro estabelecido pela obra e pela interação estimulada ao público, no qual o jogo cênico entre alegorias-personagens busca instigar a participação crítica das pessoas em torno de questões contemporâneas. Trata-se, assim, de um dispositivo político teatral voltado à ativação de um debate público aberto.
Essas microssituações pouco diferentes da vida ordinária e apresentadas sob um modo irônico e lúdico, e não mais crítico e denunciador, visam a criar ou a recriar ligações entre os indivíduos, suscitar novos modos de confrontação e de participação. (RANCIERE, 2010:18)
Esse trabalho foi apresentado pela primeira vez nos dias 31 de outubro, 1 e 2 de novembro de 2015, por ocasião do Festival de Primavera do Espaço Comum Luiz Estrela, realizado em comemoração aos 2 anos de ocupação do casarão tombado da rua Manaus, 348, em Belo Horizonte.
Sua construção foi coletiva, isto é, toda equipe colaborou para dramaturgia, para encenação e para produção. Utilizamos muitos elementos da estética do agitprop (agitação e propaganda) tais como: texto maleável seguidamente readaptável, sucessão de cenas breves e variadas, a presença de um mestre de cerimônias, a participação do público em cena, a estilização didática do real, paródias, rimas, personagens que expõe as relações sociais, tudo com objetivo de estimular a visão crítica do espectador sobre os temas abordados. Desta forma a obra pode ser percebida como um dispositivo agitprop, expressão tomada aqui na radicalidade do compromisso com a realidade social dada e com a criação de espaços de experimentação democrática.
Desvela-se nesta obra uma forma diferente de fazer política, pois ao mesmo tempo em que é teatro, pode ser uma intervenção política potente, pois permite a criação de um espaço de debate aberto – principal intencionalidade do trabalho – no qual as pessoas, incitadas pelos jogos entre as personagens, expõe na arena o que querem, dilemas, depoimentos e reivindicações caras ao nosso contexto político, tais como o feminismo, a exploração, o papel da arte, repressão policial, racismo, temas locais etc. A abertura do texto dramatúrgico – colaborativa e processualmente construído pelo elenco – também pode permitir levantar questões afetas à realidade das comunidades onde a peça será apresentada.
Ao final da Assembleia, é compartilhada com todos uma refeição preparada ao longo da execução da peça, afinal “o comum começa na cozinha, onde produção e reprodução se encontram, onde as energias cotidianas entre gêneros e gerações são permanentemente negociados” (trecho da dramaturgia).
Ficha técnica:
Direção: Rafael Bottaro
Elenco: Danilo Mata / Dagmar Bedê / Diogo Dias / Elisângela de Jesus / Gabriel Murilo / Gabrielle Salomão / Joviano Mayer / Lucas Coelho / Lucas Gonçalves / Marcinho (???) / Manu Pessoa / Matheus G.P. / Michelle Sá / Otto Chaves / Luciana Lanza/ Silvia Herval / Igor Pessoa
Cenografia e figurino: Jordana Ferreira, Clarice Rena, Ju Soares
Direção musical: Danilo Mata e Gabriel Murilo
Produção: Yasmine Rodrigues e Alexandre Fonseca
Técnico de som: Fabrício Lins
